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EXPERIÊNCIAS PERSONALIZADAS

PRESENÇA

Quem é

Renata Cruz?

Sou Renata Cruz, nasci em Santos, São Paulo, em 1974. Com o tempo, descobri que minha maior paixão é ajudar pessoas a se entenderem melhor e evoluírem emocionalmente.

Há dezoito anos, em Lisboa, Portugal, comecei a atuar como Personal Friend. No início, oferecia escuta e conselhos de forma gratuita. Mas percebi que, para continuar ajudando com qualidade, eu precisava valorizar meu tempo. Então transformei esse cuidado em profissão.

Sou formada em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa, com pós-graduação em Ciências Jurídicas. Além disso, fiz diversos cursos na área do desenvolvimento pessoal, que me deram ainda mais sensibilidade e preparo para lidar com emoções, escolhas e desafios humanos.

Hoje, como Personal Friend, crio um espaço seguro onde as pessoas podem desabafar, refletir e encontrar novos caminhos. Acredito que todos nós temos força e sabedoria dentro de nós, às vezes só precisamos de alguém ao lado para lembrar disso.

O QUE É UM

Personal Friend

Personal Friend é uma profissão baseada em presença, escuta, conversa, interação e troca de perspectivas, com atendimentos on-line e presenciais. Não é terapia. Não existe ambiente clínico, diagnóstico ou tratamento, nem a proposta de substituir psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais da saúde. Também não é um serviço destinado exclusivamente a pessoas solitárias, sem amigos ou com dificuldade para criar vínculos.

Uma pessoa pode ter família, amigos, colegas de trabalho, relacionamentos e uma vida social ativa e, ainda assim, em determinado momento, preferir conversar com alguém que esteja fora da sua rotina e do seu círculo pessoal. Às vezes, ela simplesmente não quer envolver familiares ou amigos em determinada situação. Quer conversar com alguém que não faça parte daquela história, que não conheça os envolvidos e que possa escutar sem estar inserido naquele contexto. Em outras ocasiões, nem existe um problema para ser contado. Pode ser uma caminhada, uma visita a um museu, um café, algumas horas na praia, um passeio de bicicleta, uma experiência diferente ou simplesmente uma boa conversa. É justamente essa versatilidade que torna o Personal Friend uma profissão tão singular.

Uma ideia que atravessou fronteiras

O conceito de contratar alguém para esse tipo de interação ganhou visibilidade no Japão e, em diferentes formatos, também passou a encontrar espaço nos Estados Unidos e na Europa. Como acontece com muitas profissões e serviços ainda pouco conhecidos, o Personal Friend desperta curiosidade, estranhamento e, algumas vezes, resistência. Muitas vezes, o rótulo chega antes da informação.

Há quem considere o nome estranho, quem associe automaticamente o serviço à solidão ou à incapacidade de fazer amigos e quem critique antes mesmo de procurar entender do que se trata. Infelizmente, existem ainda pessoas que fazem uma associação completamente equivocada com serviços de natureza sexual ou chegam a interpretar o Personal Friend como uma espécie de prostituição camuflada. Não é. Na minha atuação como Personal Friend não existe qualquer serviço de natureza sexual. Existem limites, critérios, respeito, discrição e regras de segurança.

Parte do desafio de trabalhar com algo ainda pouco conhecido é justamente enfrentar crenças e objeções construídas antes da informação. O novo muitas vezes causa resistência, mas nem todo serviço precisa fazer sentido para todas as pessoas. Existem diferentes necessidades, interesses e públicos. O fato de alguém não se imaginar contratando um Personal Friend não significa que outra pessoa não possa encontrar utilidade nesse serviço. O importante é conhecer antes de julgar.

Muito além de desabafar

A escuta é uma parte importante do meu trabalho, mas Personal Friend não significa apenas sentar diante de alguém para ouvir problemas. Também não significa falar exclusivamente sobre relacionamentos, términos, conflitos afetivos ou relações difíceis. É muito mais amplo.

Conversamos sobre família, carreira, decisões, mudanças, projetos, comportamentos, escolhas, conflitos cotidianos, expectativas, recomeços, planos, ideias, histórias e inúmeras outras situações que fazem parte da vida. Existem também encontros em que não há absolutamente nenhum problema para resolver. Nem toda conversa precisa nascer de uma crise, nem todo cliente está vivendo um relacionamento difícil, nem toda pessoa que procura um Personal Friend está sofrendo e nem toda necessidade precisa receber um rótulo.

Homens e mulheres podem procurar esse serviço pelos mais variados motivos. Às vezes, a pessoa sabe exatamente aquilo de que precisa, mas não sabe quem poderia exercer aquela função. Em outras situações, nem sequer imagina que aquilo que procura possa existir como serviço. Essa amplitude faz parte do Personal Friend e também da maneira como escolhi desenvolver o meu trabalho.

Minha forma de trabalhar

Ao longo dos anos, desenvolvi uma maneira muito particular de exercer o Personal Friend. Quem conversa comigo não encontra alguém contratado para simplesmente concordar com tudo. Costumo dizer que meus conselhos não romantizam o caos. Essa frase resume bastante a minha forma de trabalhar.

Escutar com respeito não significa validar automaticamente todas as conclusões de quem está falando. Posso compreender uma situação e, ainda assim, fazer uma pergunta desconfortável. Posso ouvir toda a história e chamar a atenção para um ponto que talvez esteja sendo ignorado. Eu não sou uma pessoa que simplesmente passa a mão na cabeça, mas firmeza não significa ausência de sensibilidade.

Existem clientes que chegam até mim emocionalmente sensibilizados por aquilo que viveram. Existem pessoas que foram efetivamente vítimas de situações graves, injustas ou profundamente dolorosas e precisam ter sua experiência respeitada. Não considero correto transformar responsabilidade pessoal em culpabilização da vítima. São coisas completamente diferentes. Ao mesmo tempo, existe uma diferença entre ter sido vítima de uma situação e permanecer indefinidamente identificado apenas com o lugar de vítima. Essa distinção é importante na minha forma de trabalhar.

Existe hora para escutar e hora para confrontar

Eu não conduzo todas as conversas da mesma maneira. Há clientes que chegam emocionalmente muito sensibilizados e, nesse momento, não faz sentido exigir imediatamente uma força ou uma clareza que aquela pessoa ainda não recuperou. Primeiro eu escuto, observo e respeito aquele momento. Não existe uma fórmula pronta nem uma rigidez artificial.

À medida que percebo que o cliente está se fortalecendo, minha postura também começa gradualmente a mudar. A conversa deixa de permanecer exclusivamente naquilo que o outro fez e começa a voltar para quem está diante de mim. E então chegamos a um ponto fundamental: agora vamos falar de você.

O que essa experiência mostrou? O que você percebeu? Quais sinais talvez tenha ignorado? Quais padrões podem estar se repetindo? Que limites precisam ser construídos? O que precisa ser revisto? O que ainda está sob sua responsabilidade? E, principalmente, o que você fará daqui para a frente? Não se trata de apagar aquilo que aconteceu. Trata-se de impedir que aquilo que aconteceu continue determinando tudo aquilo que acontecerá depois.

O que eu chamo de despertar prático

Existe um princípio que atravessa a minha forma de trabalhar e que eu gosto de chamar de despertar prático. Há também, nesse processo, um despertar emocional. Não estou falando de uma ideia abstrata, de uma expressão bonita ou de simplesmente repetir frases sobre transformação. Estou falando de trazer a consciência para a vida real, para o momento presente, para as escolhas e para aquilo que efetivamente pode ser feito.

É perceber onde estamos colocando nossa energia, quais histórias continuamos alimentando e quanto da nossa vida permanece girando ao redor das atitudes de outras pessoas. Quando um cliente concentra toda a atenção tentando compreender o comportamento do outro, perguntando “por que fez isso?”, “será que vai se arrepender?”, “será que vai voltar?”, “será que sente minha falta?” ou “será que um dia vai pagar pelo que fez?”, eu procuro mudar gradualmente a direção da conversa.

Podemos passar meses tentando decifrar outra pessoa, criar dezenas de hipóteses sobre aquilo que ela pensa, esperar justiça, arrependimento, reconhecimento ou alguma espécie de reparação emocional e continuar exatamente no mesmo lugar. Então eu devolvo o olhar para quem está diante de mim: E você? Onde você está nessa história? O que essa experiência revelou sobre você? O que ela mostrou que precisa ser observado? O que ainda está sob sua responsabilidade? O que você pode transformar? O que depende de você agora?

Esse é o despertar prático que faz parte da minha forma de trabalhar: sair do automático, voltar ao presente, parar de entregar ao outro todas as respostas sobre a própria vida, olhar para dentro e transformar consciência em atitude.

O outro como instrumento e reflexo

Existe outro ponto importante na minha maneira de enxergar determinadas experiências. O outro pode funcionar como instrumento e reflexo daquilo que, muitas vezes, precisamos enxergar, fortalecer ou transformar dentro de nós. Isso precisa ser compreendido com responsabilidade.

Não significa que tudo o que alguém diz sobre nós seja verdade. Também não significa que alguém tenha provocado o comportamento inadequado de outra pessoa ou seja responsável pela violência, mentira, traição, manipulação ou desrespeito que sofreu. A responsabilidade pela conduta pertence a quem a praticou.

Mas uma relação, uma crítica, um conflito ou até mesmo uma frase podem revelar alguma coisa que merece ser observada. Alguém pode dizer: “você é carente”, “você é inseguro”, “você é difícil”, “você é chato” ou qualquer outra coisa. Eu não acredito que a resposta precise ser automaticamente “essa pessoa tem razão”, mas também não acredito que precise ser automaticamente “isso não tem absolutamente nada a ver comigo”. Existe uma terceira possibilidade: vamos olhar.

Isso pertence a mim ou pertence ao outro? Existe alguma verdade nessa fala? Isso toca uma ferida emocional minha? Estou reagindo apenas àquilo que aconteceu agora ou existe algo anterior sendo acionado? Há algum comportamento que preciso observar? Existe alguma coisa sobre mim que essa situação está me convidando a conhecer?

Autoconhecimento também é conseguir fazer esse exercício sem transformar toda crítica em verdade e sem transformar toda crítica em ataque. Algumas falas revelam muito mais sobre quem as pronuncia. Outras, mesmo quando são ditas de maneira inadequada, podem tocar em algo que já existe em nós e merece ser observado. É essa consciência que me interessa.

Olhar para as feridas sem morar nelas

Todos nós carregamos experiências, inseguranças, necessidades, medos e padrões construídos ao longo da vida. Quando não reconhecemos essas questões, podemos repetir comportamentos e escolhas sem perceber. Carência afetiva, medo de abandono, necessidade constante de aprovação, baixa autoestima, dificuldade para estabelecer limites e apego emocional podem fazer com que uma pessoa permaneça por muito tempo em relações ou situações que já demonstraram não lhe fazer bem.

É nesse momento que eu procuro tirar o foco exclusivamente do comportamento do outro. Podemos passar horas falando sobre uma pessoa manipuladora, mentirosa, desonesta, infiel, abusiva ou com comportamentos narcisistas. Mas, em algum momento, uma pergunta precisa aparecer: por que eu continuo entregando tanto espaço da minha vida para isso?

Essa pergunta não absolve quem agiu mal e não responsabiliza alguém por ter sido enganado, manipulado ou maltratado. Ela procura identificar quais recursos internos precisam ser fortalecidos para reconhecer sinais, estabelecer limites, tomar decisões e se preservar. Porque não controlamos quem aparece em nosso caminho, mas podemos desenvolver mais consciência sobre quem permitimos que permaneça nele.

Ressignificar padrões e vícios emocionais

Existem pessoas que percebem que estão repetindo histórias muito parecidas. Mudam os nomes, mudam os rostos e mudam os lugares, mas a dinâmica parece continuar a mesma. É nesse momento que começamos a conversar sobre padrões, vínculos, carência, necessidade de validação, apego emocional e aquilo que eu chamo de vícios emocionais.

Não basta dizer: “Nunca mais vou me relacionar com alguém assim.” É preciso compreender por que determinados comportamentos foram tolerados, por que alguns sinais foram ignorados, por que certos vínculos se tornaram tão difíceis de romper e o que precisa ser fortalecido para que as próximas escolhas possam ser diferentes.

Pessoas manipuladoras ou mal-intencionadas não possuem algum poder misterioso para “sentir” quem está vulnerável, mas podem perceber comportamentos, necessidades e limites frágeis e testar até onde conseguem avançar. Uma pessoa com medo intenso de perder alguém pode tolerar mais. Quem precisa constantemente de aprovação pode ceder mais. Quem tem enorme dificuldade de dizer “não” pode permitir sucessivas ultrapassagens de limites. Quem está profundamente carente pode interpretar atenção intensa como vínculo verdadeiro antes de conhecer suficientemente quem está diante dela.

Por isso, fortalecer-se não significa aprender a identificar antecipadamente toda pessoa desonesta, manipuladora ou mal-intencionada existente no mundo. Isso seria impossível. Significa conhecer a si mesmo suficientemente bem para perceber quando alguma coisa começa a exigir que você se abandone para mantê-la.

Autoconhecimento, amor-próprio, autoestima e autopreservação

É aqui que entram alguns dos pilares que aparecem com frequência nas minhas conversas: autoconhecimento, amor-próprio, autoestima, limites e autopreservação. Não como frases bonitas, mas como prática.

Autoconhecimento para reconhecer padrões e compreender as próprias escolhas. Amor-próprio para não precisar se diminuir para permanecer na vida de alguém. Autoestima para não depender exclusivamente do olhar de outra pessoa para reconhecer o próprio valor. Limites para compreender onde termina a compreensão e começa aquilo que você não aceita. Autopreservação para perceber que estar disponível para tudo e para todos pode significar desaparecer da própria vida.

Não considero amor-próprio uma frase para colocar em uma legenda. Para mim, ele precisa aparecer nas escolhas, naquilo que você aceita, naquilo que recusa, na maneira como estabelece limites e na capacidade de perceber quando uma relação, situação ou dinâmica começa a exigir um preço alto demais.

Sair do autoabandono

Existe uma palavra que considero fundamental nesse processo: autoabandono.

O autoabandono acontece quando, para manter alguém, pertencer a algum lugar ou sustentar determinada relação, você começa gradualmente a abandonar a si mesmo. Você ignora aquilo que sente, silencia necessidades, ultrapassa os próprios limites, aceita situações que antes dizia que jamais aceitaria, adia projetos, modifica excessivamente quem é para evitar rejeição, coloca a vida do outro no centro e vai desaparecendo da própria história.

É justamente aí que costumo usar uma metáfora: quando você se autoabandona, começa a transformar a própria vida em um terreno baldio.

O problema de um terreno sem cuidado, sem limites e sem proteção é que qualquer pessoa pode tentar ocupá-lo. Quando um terreno é abandonado, ninguém sabe exatamente onde estão os limites, quem cuida dele ou aquilo que pode ou não acontecer ali. Com a nossa vida pode ocorrer algo semelhante quando deixamos de nos observar e nos preservar.

Essa metáfora não significa que alguém seja culpado pela má conduta de outra pessoa. Quem ultrapassa limites continua responsável pelo próprio comportamento. O ponto é outro: sua responsabilidade é não abandonar o seu próprio terreno. Cuidar dele, conhecê-lo, fortalecê-lo, estabelecer limites e saber quem pode entrar, quem merece permanecer e quem precisa sair.

Porque amor-próprio também é autopreservação. E sair do autoabandono é voltar a ocupar o lugar central da própria vida.

É sobre você

Essa talvez seja a frase que melhor resume minha maneira de trabalhar: é sobre você.

Não sobre controlar o outro, esperar que alguém se arrependa, descobrir quando a vida vai cobrar determinada pessoa ou permanecer anos esperando uma explicação perfeita para finalmente conseguir seguir em frente. É sobre aquilo que você pode fazer agora. A mudança possível começa em você.

Isso não significa que você controla tudo o que acontece na sua vida. Não controla. Também não significa justificar o comportamento de quem mentiu, traiu, manipulou, enganou, desrespeitou ou agiu de maneira inadequada. A responsabilidade pela conduta pertence a quem a praticou.

Mas existe uma diferença entre reconhecer a responsabilidade do outro e continuar entregando a essa pessoa o protagonismo da sua vida. Se uma relação terminou, podemos passar meses tentando descobrir se o outro sentirá falta, sofrerá, voltará, se arrependerá ou perceberá aquilo que perdeu. Mas nenhuma dessas respostas constrói o próximo capítulo da sua vida.

Em algum momento, a pergunta precisa deixar de ser “O que o outro vai fazer?” e passar a ser “O que eu vou fazer daqui para a frente?”

Do presente para o propósito

Quando conseguimos trazer o olhar novamente para o momento presente, outra conversa começa a surgir: propósito.

Depois de tanto tempo pensando no outro, no passado, naquilo que aconteceu ou naquilo que deveria ter acontecido, começamos a perguntar: o que ainda faz sentido para você? O que deseja construir? Quais caminhos quer seguir? O que ficou esquecido enquanto toda a sua atenção estava concentrada naquela situação? Que projetos precisam ser retomados? Que interesses podem ser redescobertos? Que direção você pretende dar à própria vida?

Propósito não precisa significar descobrir uma missão extraordinária. Às vezes, começa de maneira muito mais concreta: retomar um projeto, estudar alguma coisa, voltar a cuidar da própria vida, conhecer pessoas, reorganizar prioridades, experimentar algo novo, criar novos objetivos, voltar a fazer planos e perceber que existe futuro.

Para mim, despertar prático também é isso: sair da repetição, reconhecer o presente e começar a construir uma direção. É transformar consciência em movimento.

O que eu faço e o que eu não faço

A minha atuação possui limites claros. Não faço diagnóstico, não realizo tratamento, não prometo transformar a vida de ninguém, não substituo acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico quando necessário, não realizo investigação privada, não participo de atividades ilícitas, não ofereço serviços de natureza sexual e não assumo um papel que não pertence ao Personal Friend.

Minha função não é decidir a vida do cliente, controlar suas escolhas ou criar dependência. Posso escutar, conversar, questionar, trazer outra perspectiva e estar presente dentro dos limites do serviço, mas a vida continua pertencendo a quem a vive.

Como funcionam os meus atendimentos

Os atendimentos podem ser on-line ou presenciais e são destinados a homens e mulheres. Nos encontros presenciais, trabalho exclusivamente em locais públicos, como parques, praias, cafés, restaurantes, museus, exposições e outros espaços adequados, dependendo da proposta previamente combinada.

Por segurança, existem limites que não são negociáveis: não realizo viagens com clientes, não pego carona e não ofereço carona. Também não utilizo cinema como modalidade de atendimento, porque considero importante que exista possibilidade de conversa e interação durante o período contratado.

Essas regras existem para preservar ambas as partes e deixar clara a natureza profissional do serviço. Contratar um Personal Friend não significa ter acesso irrestrito à vida particular do profissional. Existe presença, conversa e interação, mas também existem horários, regras, limites, discrição e respeito.

Sigilo, discrição e respeito

Quem procura um Personal Friend pode trazer assuntos pessoais e situações que não gostaria de expor às pessoas do seu convívio. Por isso, discrição e respeito à privacidade fazem parte da minha forma de trabalhar.

Aquilo que é compartilhado comigo durante o atendimento é tratado com seriedade e reserva, observados os limites e deveres aplicáveis à legislação e às situações concretas. Não utilizo a vulnerabilidade de ninguém como entretenimento, não exponho clientes, não transformo histórias pessoais em assunto público identificável e não considero curiosidade justificativa para ultrapassar a privacidade de terceiros.

Para mim, confiança não significa ausência de limites. É justamente o contrário. Quanto mais delicada for uma situação, mais importantes se tornam os limites.

Atenção na escolha do profissional

Personal Friend não é uma profissão regulamentada no Brasil. Isso torna ainda mais importante escolher com responsabilidade quem você pretende contratar.

Pesquise a trajetória da pessoa, conheça seu trabalho, observe suas páginas e conteúdos, procure referências quando disponíveis e entenda claramente aquilo que ela oferece e aquilo que não oferece. Observe se existem regras de segurança e limites de atuação, desconfie de promessas extraordinárias e tenha cautela antes de marcar qualquer encontro presencial com alguém que você não conhece.

Má-fé, despreparo e charlatanismo não são exclusivos de uma profissão. Podem existir em diferentes áreas. Por isso, mais importante do que confiar apenas em um título é observar a trajetória, a conduta, os limites, a coerência e a maneira como aquela pessoa apresenta o próprio trabalho.

E quando o Personal Friend sai do convencional?

Depois de compreender a essência do trabalho, existe uma dimensão do Personal Friend que considero especialmente interessante: as situações inusitadas.

Ao longo da minha trajetória, desenvolvi uma maneira muito particular de explorar as possibilidades dessa profissão, incluindo demandas pouco convencionais que muitas pessoas sequer imaginam que poderiam solicitar a alguém.

Na minha experiência, passei a explorar no Brasil uma atuação que vai muito além da ideia tradicional de contratar alguém apenas para conversar. É uma forma de trabalhar que fui construindo a partir das situações reais que chegaram até mim, inclusive pedidos que dificilmente caberiam em uma definição pronta de Personal Friend.

Por ser uma atividade ainda pouco conhecida e com possibilidades muito amplas, não seria responsável afirmar que fui a primeira pessoa do Brasil a realizar cada uma dessas modalidades sem uma comprovação histórica. Mas posso dizer que estou entre os profissionais que vêm desenvolvendo e dando visibilidade a uma forma mais ampla e pouco convencional de exercer o Personal Friend no país, incorporando aquilo que chamo de situações inusitadas.

São experiências, necessidades, pequenos desafios cotidianos e pedidos tão particulares que, muitas vezes, o próprio cliente chega dizendo: “Eu nem sabia que existia alguém que pudesse fazer isso.” Essa frase diz muito sobre o potencial do Personal Friend, porque existem necessidades que surgem antes mesmo de sabermos como chamá-las.

Quando a necessidade existe antes do nome

Às vezes, a pessoa sabe exatamente o que gostaria de fazer, mas não sabe quem poderia exercer aquela função. Uma pessoa extremamente tímida pode querer começar a frequentar ambientes sociais e não saber como dar o primeiro passo. Alguém pode nunca ter ido a determinado evento e sentir dificuldade de começar a circular nesse tipo de ambiente.

Uma pessoa pode ter passado vinte ou trinta anos casada e, depois do fim daquela relação, perceber que o mundo social ao seu redor mudou completamente. Os antigos amigos podem estar casados, envolvidos com filhos, famílias e outras rotinas. Outros simplesmente seguiram caminhos diferentes. Enquanto isso, aquela pessoa percebe que perdeu o ritmo. Não sabe mais como sair, como iniciar uma conversa, como se aproximar de alguém por quem se interessou ou até como se comportar em determinados ambientes que mudaram muito desde a última vez em que esteve solteira. Pode sentir vergonha de chegar sozinha a determinado lugar ou simplesmente querer reaprender a circular socialmente.

Nesse contexto, o Personal Friend não está ali para paquerar pelo cliente ou enganar terceiros. Pode estar presente enquanto a pessoa recupera espontaneidade, observa o ambiente, conversa e volta gradualmente a se sentir confortável naquela realidade.

Algumas situações podem surpreender

Já acompanhei, por exemplo, uma pessoa crossdresser para escolher e comprar roupas. Conversamos, vimos opções e aquele momento pôde ser vivido com naturalidade, respeito, discrição e sem julgamentos. Esse exemplo mostra algo importante: nem sempre uma pessoa procura um Personal Friend porque está triste, sozinha ou vivendo um problema. Às vezes, ela simplesmente gostaria de viver determinada experiência com uma presença respeitosa e discreta.

Em outra ocasião, um cliente queria entregar uma carta à namorada, que naquele momento não desejava falar com ele. Meu papel foi fazer uma abordagem respeitosa e perguntar se ela aceitaria receber a carta, sem insistência, sem pressão e sem ultrapassar a vontade dela. Ela tinha total liberdade para recusar.

Também podem surgir situações como acompanhar alguém na escolha de roupas para uma ocasião importante, experimentar uma mudança de estilo, visitar um lugar pela primeira vez, preparar uma conversa delicada, organizar aquilo que pretende dizer antes de uma reunião ou encontro, participar de uma ocasião social, conhecer museus e exposições, caminhar, pedalar, conhecer pontos turísticos, tomar um café ou uma água de coco, almoçar em um local público, conversar antes de uma decisão, estar presente em uma comemoração ou evento ou simplesmente enfrentar uma situação que a pessoa vem adiando por timidez, insegurança ou constrangimento.

Dentro das possibilidades legais e das exigências aplicáveis, pode surgir até um pedido para estar presente como testemunha em um casamento. Há pessoas que querem uma opinião antes de colocar um projeto em prática. Outras querem organizar as próprias ideias antes de uma conversa importante. Algumas querem experimentar algo novo. Outras simplesmente precisam de uma pessoa de fora daquele contexto para conversar e enxergar a situação por outro ângulo.

E podem surgir pedidos que eu mesma nunca tenha recebido anteriormente. É justamente por isso que não existe uma lista fechada.

“Renata, você faria isso?”

Essa talvez seja uma das perguntas que melhor representam essa parte do meu trabalho: “Renata, estou vivendo uma situação diferente. Você faria isso?”

A partir daí, eu avalio: é legal? É seguro? Respeita terceiros? Preserva a privacidade das pessoas envolvidas? Está dentro dos meus limites? É compatível com a proposta do Personal Friend?

Se estiver, podemos conversar sobre como fazer. Se não estiver, a resposta será não.

Ser inusitado não significa não ter limites. Pelo contrário. Quanto mais incomum for uma solicitação, mais importante se torna avaliar com clareza aquilo que pode e aquilo que não pode ser feito.

Criatividade não significa ultrapassar limites

Algumas situações podem exigir criatividade, discrição ou uma participação muito específica, mas existe uma fronteira que não ultrapasso.

Não realizo investigação privada, não persigo pessoas, não invado residências ou propriedades, não acesso celulares, computadores, contas, mensagens, e-mails ou perfis privados, não obtenho dados pessoais de maneira indevida, não utilizo dispositivos ou programas de monitoramento, não utilizo identidade falsa para obter informações, não me faço passar por outra pessoa para enganar terceiros, não abordo pessoas com intimidação e não participo de situações que envolvam ameaça, constrangimento, agressão ou qualquer outra conduta ilícita.

Curiosidade, sofrimento, ciúme ou desconfiança não dão a ninguém o direito de violar a privacidade de outra pessoa. Se um cliente estiver desconfiado de uma situação afetiva, por exemplo, posso conversar, ajudar a organizar aquilo que está sendo observado e, quando a situação for legítima e compatível com os meus limites, estar presente em um ambiente público. Mas não atuo como investigadora particular. Tudo precisa permanecer dentro da legalidade, do respeito e dos limites do meu trabalho.

Sem barraco, sem confronto e sem perder a postura

Essa é outra regra fundamental. Se estivermos presencialmente diante de uma situação delicada e o cliente iniciar uma discussão, partir para ofensas, ameaças ou agressões, provocar confusão ou perder completamente a postura, eu me retiro.

Minha presença nunca deve ser interpretada como autorização ou incentivo para confrontar alguém. Não estou ali para fazer barraco, intimidar terceiros ou aumentar um conflito. Posso conversar, estar presente e ajudar a pessoa a pensar antes de agir, mas cada indivíduo continua responsável pela própria conduta.

Legalidade, respeito, discrição, sigilo e segurança são princípios indispensáveis na minha forma de trabalhar.

Personal Friend pode assumir diferentes formas

O próprio conceito de Personal Friend permite diferentes maneiras de atuação. Existem profissionais que direcionam suas atividades para interesses específicos e experiências particulares. Em conceitos próximos, encontramos propostas relacionadas à dança, gastronomia, atividades culturais, lazer, conversação e outras experiências sociais. Isso demonstra como existe espaço para diferentes formatos e públicos.

Na minha atuação, escolhi construir uma identidade própria. Meu trabalho reúne conversa, escuta, questionamento, despertar prático, autoconhecimento, consciência, propósito e experiências cotidianas, ao mesmo tempo em que abre espaço para demandas inusitadas que possam ser realizadas dentro da legalidade, da segurança e dos meus limites.

Não quero limitar o Personal Friend à imagem de duas pessoas sentadas falando sobre problemas. A vida acontece fora dali também.

Às vezes, a necessidade existe antes do serviço ser conhecido

Talvez esse seja um dos aspectos mais interessantes de uma profissão ainda pouco conhecida. Existem situações para as quais as pessoas já sentem necessidade de uma solução, mas ainda não sabem que existe alguém que pode exercer determinada função.

Elas sabem aquilo de que precisam, só não sabem quem faz. Não sabem a quem perguntar, como procurar ou sequer imaginam que aquela necessidade possa encontrar espaço dentro de um serviço.

É por isso que considero difícil criar uma lista definitiva de tudo aquilo que um Personal Friend pode fazer. A própria experiência apresenta novas possibilidades. Isso não significa que vale tudo. Muito pelo contrário. Quanto maior a versatilidade, maior precisa ser a clareza dos limites.

Existe um universo de situações cotidianas para as quais as pessoas simplesmente ainda não sabem que podem procurar alguém. À medida que o Personal Friend se torna mais conhecido, novas possibilidades também podem ser percebidas.

Afinal, o que é Personal Friend?

Talvez não exista uma única situação capaz de responder a essa pergunta.

Pode ser uma conversa, uma presença, uma caminhada ou uma experiência diferente. Pode ser reaprender a circular socialmente depois de muitos anos vivendo outra realidade, enfrentar pela primeira vez uma situação que você sempre teve vergonha de enfrentar, experimentar uma mudança, organizar uma conversa importante ou conversar sobre família, carreira, projetos, escolhas, relações ou propósito.

Pode ser um olhar de fora quando você está há tempo demais olhando para a mesma situação pelo mesmo ângulo. Pode ser falar sobre algo que você prefere não levar para dentro da sua família, do trabalho ou do seu círculo de amizades. Pode ser uma situação tão incomum que você ainda nem sabe como explicar. Pode ser um pedido inesperado que primeiro precisará ser avaliado. Ou pode ser simplesmente algumas horas de uma boa conversa.

Não existe consultório, diagnóstico ou roteiro obrigatório. E não existe a intenção de substituir as pessoas que já fazem parte da sua vida. Existe presença, escuta, conversa, discrição, respeito e troca de perspectivas, dentro de limites claros.

Na minha forma de exercer o Personal Friend, existe um princípio que resume muito do meu trabalho: eu não estou aqui para viver a vida por você. Estou aqui para conversar com você enquanto você volta a olhar para a sua própria vida.

Porque podemos falar sobre muitas pessoas, muitas histórias e muitas circunstâncias. Podemos compreender o outro, analisar aquilo que aconteceu e reconhecer aquilo que foi feito conosco. Mas o despertar começa quando o olhar também consegue voltar para dentro: para as feridas que precisam ser compreendidas, os padrões que precisam ser ressignificados, o amor-próprio que precisa aparecer nas escolhas, a autoestima que precisa deixar de depender exclusivamente do olhar de fora, a autopreservação, os limites, o propósito, a vida que existe no presente e a necessidade de sair do autoabandono para voltar a ocupar o próprio espaço.

Porque, em algum momento, existe uma pergunta para a qual sempre vale a pena voltar:

E você, onde está dentro da sua própria história?

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